A Copa do Mundo mais longa da história ainda tem duas semanas até a final, mas já passou, em volume de bola rolando, muito mais rápido do que a sensação de calendário indica. Com o fim dos 32 avos de final e o início das oitavas, o Mundial de 2026 chega à fase dos 16 sobreviventes com 88 das 104 partidas disputadas. Na calculadora fria, isso significa que 84,6% dos jogos já ficaram para trás.
A impressão de que ainda há muita Copa pela frente não está exatamente errada. Restam as oitavas, as quartas, as semifinais, a disputa de terceiro lugar e a final, justamente o trecho mais decisivo e mais acompanhado do torneio. Mas a nova fórmula, com 48 seleções, 12 grupos de quatro times e uma fase extra de mata-mata antes das oitavas, concentrou uma quantidade enorme de partidas no início da competição. Antes mesmo de conhecer os oito melhores, o Mundial já tinha ultrapassado, com folga, o tamanho inteiro de qualquer Copa disputada até 2022.
Os números da Copa até aqui:
A mudança ajuda a explicar a estranheza. No modelo anterior, usado entre 1998 e 2022, uma Copa inteira tinha 64 jogos. Em 2026, quando o torneio chegou ao jogo de número 88, ainda faltavam todas as oitavas de final. Ou seja: a atual edição já teve 24 partidas a mais do que todo o Mundial do Catar e ainda nem definiu seus quadrifinalistas.
Também é por isso que esta Copa produz duas leituras ao mesmo tempo. Para quem acompanha desde a fase de grupos, a competição parece enorme, espalhada por três países, horários diferentes e uma sucessão quase diária de jogos. Para quem começa a medir o torneio pelos grandes duelos de mata-mata, porém, ela está apenas entrando no ponto mais quente.
A partir de agora, o funil passa a ser mais brutal. O torneio que começou com 48 seleções, caiu para 32 e depois para 16, terá apenas oito equipes vivas depois das oitavas. Ainda resta o trecho mais nobre da Copa. Mas, em quantidade de jogos, quase tudo já aconteceu.
