Com ‘casca’ na Libertadores, Fluminense busca evitar surpresa contra um Platense estreante e visitante indigesto


O Fluminense sabe bem que a Libertadores é traiçoeira em sua essência. A atual campanha até as quartas de final não teve argentinos tradicionais como Boca Juniors, River Plate, Racing… mas isso não foi sinônimo de facilidade. Pelo contrário, o tricolor eliminou o Independiente Rivadavia sem conseguir derrotá-lo em quatro oportunidades (três empates e uma derrota) e, agora, tem pela frente outro “hermano” estreante: o Platense, hoje, às 19h (de Brasília), no Maracanã, pelo jogo de ida. No mesmo dia e horário da semana que vem, as equipes decidirão a vaga no Ciudad de Vicente López, em Buenos Aires.

O Flu é o primeiro time, desde o América do México, em 2002, a enfrentar tantos estreantes em uma mesma Libertadores. Ao fim das quartas, o tricolor terá disputado seis de suas dez partidas contra adversários que nunca haviam participado do torneio. O peso da camisa, porém, não é garantia de resultado. Foram apenas três gols marcados e quatro sofridos diante do Rivadavia. No mata-mata, Fábio teve que ser herói nos pênaltis.

Por outro lado, é inegável o favoritismo do Flu sobre o Platense, que se classificou pela primeira vez para a Libertadores após o título inédito do Apertura do Campeonato Argentino de 2025. Apesar de ter sido o pior segundo colocado na fase de grupos e precisar sempre decidir fora de casa no mata-mata, o tricolor tem um elenco muito mais caro e tecnicamente superior ao do adversário, com jogadores que já foram campeões da competição em 2023 e outros que ainda sonham com a Glória Eterna no fim da carreira, como Thiago Silva e Hulk.

— Passou um filme na minha cabeça: 2008 (vice contra a LDU), dentro de campo, e 2023, assistindo do sofá. Foram sentimentos diferentes, mas assistir não é fácil. Eu preferia estar dentro de campo, realizando esse sonho como jogador. É um momento importante para nos unirmos de uma vez por todas, não só pela Libertadores, mas pela nossa temporada. E, com certeza, com o Maracanã lotado e as três cores que traduzem tradição — disse o zagueiro e capitão à FluTV.

Se o Platense é estreante, o Fluminense vem ganhando cada vez mais casca na Libertadores. Das 11 participações em sua história, cinco ocorreram nos últimos seis anos (2021, 2022, 2023, 2024 e 2026), além de o clube ter tirado um peso das costas ao conquistar o inédito título em 2023.

Apesar da surpreendente campanha em sua primeira Libertadores, o Platense ocupa apenas a 25ª posição entre os 30 clubes da classificação anual do Campeonato Argentino. Assim como o Fluminense, que demitiu Luis Zubeldía e efetivou Marcão, o clube argentino trocou de técnico no meio do caminho e passou das oitavas com um novo treinador: Martín Palermo.

Com passagem pelo futebol brasileiro, em 2025, no Fortaleza, o ex-jogador e ídolo do Boca Juniors voltou a comandar o Platense, clube que já havia levado ao vice-campeonato da Copa da Liga Argentina em 2023. Antes do retorno de Palermo, Walter Zunino foi demitido após uma classificação histórica na fase de grupos. A sequência de derrotas no campeonato nacional pesou para a saída, com direito a uma goleada sofrida em casa por 4 a 0 para o Talleres, na época ainda comandado por Jorge Sampaoli, ex-técnico da seleção argentina e do Flamengo.

Ainda que a inexperiência possa pesar no mata-mata da Libertadores, o Platense tem como trunfo justamente a capacidade de desbancar favoritos pelo caminho, principalmente fora de seus domínios. Foi o caso do título argentino no ano passado, quando superou Racing, River Plate e San Lorenzo, todos como visitante, antes de vencer o Huracán na final, em campo neutro, no Estádio Único Madre de Ciudades, em Santiago del Estero.

Nesta edição do torneio internacional, venceu os gigantes Peñarol por 2 a 1, em Montevidéu, e Corinthians por 2 a 0, em Itaquera, e confirmou a classificação para as quartas de final diante do também modesto Coquimbo Unido, no Chile.

Para o jogo de hoje, Marcão deve promover os retornos de Thiago Silva e Hércules, preservados contra o Vasco por desgaste muscular. No ataque, Canobbio, expulso na classificação contra o Independiente Rivadavia, está suspenso. Kevin Serna é o favorito para ficar com a vaga. Já no Platense, Palermo tem à disposição o time que superou o Coquimbo Unido.



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