Nada, nem mesmo o possível acerto de Richarlison com o Vasco, marcará tanto o último dia da janela de registros como o retorno de Philippe Coutinho para jogar no Santos. Porque sete meses após pedir desligamento do clube que o ofertou a idolatria eterna, o meia rasga o que restava do vínculo afetivo e opta por reaparecer em cena como um coadjuvante qualquer.
É mais um caso emblemático a mostrar o quão ingênuos são os torcedores. Por anos, os vascaínos acalentaram o sonho da volta do jogador que saíra do clube aos 18 anos. E mais de 20 mil lotaram São Januário em julho de 2024 só para festejar este retorno. Fizeram música. Personalizaram camisas. O levaram a um patamar que, a rigor, o craque nunca fez por merecê-lo.
Por isso, gerou revolta e frustração quando o herdeiro da camisa 10 que fora de Roberto Dinamite pediu, em fevereiro, a quebra do contrato que iria até junho. Revolta, por não ter entregue em campo a liderança esperada; frustração, por deixar o clube que o acolheu em nome de uma geração que, infelizmente, não sabe o que é um ídolo de verdade.
Coutinho não merecia ser vaiado pela indolência e ineficácia de suas atuações, é verdade. Até porque era dos mais lúcidos do time, ponto de partida para um projeto de qualidade. Mas, ao retomar a carreira sete meses após alegar “esgotamento mental”, era de se esperar que procurasse o Vasco para rediscutir o ciclo interrompido.
Se não o fez, se preferiu vestir a camisa do “Projeto Neymar”, foi porque o papel de ídolo de uma instituição como o Vasco talvez fosse mesmo grande demais para sua história. E não tem nada demais rejeitar a idolatria e assumir a condição de coadjuvante. Mas Coutinho precisa saber do soco no estômago de quem ainda acredita que no vínculo afetivo entre jogadores e clubes.
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Philippe Coutinho reaparece em cena como um coadjuvante qualquer
