A carreira esquecida: GDF ignora servidores que sustentam a máquina administrativa do DF


Assembleia-PPGG-SINDIRETA

A carreira de Política Públicas e Gestão Governamental carrega é a responsável pela manutenção das funções administrativas do GDF, mas acumula a maior defasagem salarial do serviço público e seguem relegada a segundo plano.

Enquanto professores, policiais, médicos e enfermeiros ocupam o centro do debate público e recebem sucessivas recomposições salariais, existe uma carreira essencial, mas praticamente desconhecida pela população: a de Políticas Públicas e Gestão Governamental (PPGG), a antiga carreira administrativa do Governo do Distrito Federal. Ela é o que se costuma chamar de “atividade-meio”. Não atua na ponta — não dá aula, não atende no hospital, não patrulha a rua —, mas é ela que faz o Estado funcionar por trás dos bastidores.

A PPGG é responsável pela implementação, monitoramento e avaliação das políticas públicas. É quem executa contratos, executa o orçamento, gerencia a folha de pagamento de todos os servidores, coordena a gestão de pessoal, homologa processos e garante que as políticas decididas politicamente cheguem de fato à população. Sem ela, nada anda. Não há pagamento de salários, não há licitação de medicamentos, não há organização de concursos, não há controle de gastos. É o sangue que corre nas veias da administração pública.

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Diferente de carreiras estanques, a PPGG é transversal por natureza. Seus servidores são lotados em todas as secretarias, administrações regionais e órgãos do GDF — inclusive nas próprias corporações de atividade-fim, como saúde, educação e segurança. Eles são o elo estratégico entre a decisão política e o resultado concreto entregue ao cidadão.

E é exatamente por isso que a carreira costuma ser invisível. A população conhece o bombeiro, o professor, o policial e o médico. Poucos sabem que, sem os servidores da PPGG, esses profissionais simplesmente não conseguem trabalhar com eficiência. O resultado prático dessa invisibilidade é dramático: na hora de negociar reajustes, a PPGG é sempre a última da fila — quando não é simplesmente esquecida.

Os números revelam a injustiça. A última recomposição salarial específica da carreira ocorreu em 2013, ainda no governo Agnelo Queiroz. A lei foi parcelada em três vezes (2013, 2014 e a última parcela só foi paga em abril de 2022, já no governo Ibaneis Rocha, depois de a Lei de Responsabilidade Fiscal bloquear qualquer aumento no governo Rollemberg). Em 2023, a carreira foi contemplada apenas pelo reajuste geral de 18% dado a todos os servidores (parcelado em três vezes: julho/2023, janeiro/2024 e julho/2025).

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Servidores da PPGG relatam que, desde 2008, o poder de compra dos salários caiu para menos de um terço do que era. Hoje, em média, recebem menos que professores — categoria historicamente apontada como mal remunerada — e possivelmente de um terço do valor real de outras carreiras de nível superior. Enquanto educação e segurança tiveram duas recomposições salariais nos últimos anos e a carreira da Fazenda já caminha para a terceira, a PPGG ficou praticamente estagnada.

Em carta aberta ao governo e à sociedade, os servidores da PPGG resumem com clareza o problema: “A excelência da gestão pública passa pela valorização da carreira PPGG. Não somos apenas servidores; somos o elo estratégico entre a decisão política e o benefício social. Manter uma carreira estratégica sem a devida política de valorização é, em última análise, fragilizar a própria capacidade de entrega do Governo”.

O paradoxo é evidente: quanto mais o GDF cobra eficiência, resultados e boa gestão, mais penaliza exatamente a carreira que tem como missão entregar essa eficiência. Policiais são retirados das ruas para fazer trabalho administrativo por falta de servidores da PPGG em número suficiente. Secretarias inteiras acumulam processos, contratos atrasam, políticas públicas são mal executadas ou simplesmente não saem do papel. O custo dessa invisibilidade não é só salarial — é de qualidade do serviço público prestado à população.

A PPGG não pede privilégios. Pede reconhecimento proporcional à sua responsabilidade. Enquanto o debate público continuar focado apenas nas carreiras de ponta, o DF seguirá com uma administração pública que funciona pela metade: muita vontade na frente, mas com a espinha dorsal enfraquecida e mal remunerada.

Valorizar a PPGG não é gasto. É investimento na inteligência do Estado. É garantir que as políticas públicas saiam do papel e cheguem de fato à vida das pessoas. Ignorar essa carreira é, na prática, aceitar que o Governo do Distrito Federal continue operando com uma perna manca.

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