A morte de Arthur Muhlenberg, aos 62 anos, nesta terça-feira, provocou forte repercussão nas redes sociais, com uma sequência de homenagens de torcedores, jornalistas e leitores que acompanharam sua trajetória ligada ao Flamengo. Conhecido como uma das principais vozes da torcida rubro-negra, ele foi lembrado pela forma como transformava a experiência da arquibancada em linguagem própria.
Muhlenberg morreu após um período de internação relacionado a uma doença pulmonar, desenvolvida depois do tratamento de uma leucemia e de um transplante de medula óssea. Nos últimos meses, seu estado de saúde já mobilizava torcedores e ídolos do clube. Em março, Zico participou de uma ação na Gávea para arrecadar recursos para o tratamento do cronista, com venda de livros autografados.
Nas redes, a reação à morte se espalhou rapidamente. Mensagens destacaram não apenas a perda, mas o estilo e a personalidade do escritor. “Alto astral, boa onda (…) O Arthur Muhlenberg é, não foi”, escreveu um usuário.
O jornalista Bruno Guedes comentou o impacto da notícia: “A morte do Arthur Muhlenberg bateu mal demais em mim (…) Fico sempre triste em pensar que todos nós vamos embora, mas nossas paixões continuarão a existir e não poderemos mais vê-las. A morte dói pelo que deixamos e amamos.”
Outras mensagens ressaltaram a permanência da obra e da memória do cronista. “Grande postagem, será eterna igual a sua memória. Que descanse em paz, Arthur Muhlenberg”, publicou outro usuário.
A relação com a torcida do Flamengo apareceu como ponto central nas homenagens. “Existe um lugar onde Arthur Muhlenberg jamais deixará de ser lembrado. Esse lugar não é um espaço físico, é um sentimento de pertencimento comum a milhões de pessoas”, escreveu um torcedor.
O Urublog, espaço criado por Muhlenberg no GloboEsporte.com, foi frequentemente citado como marco de sua trajetória. “O @Urublog marcou época! Descanse em paz, Arthur Muhlenberg. Seu rubro-negrismo máximo, seu vocabulário único e sua forma de viver o Flamengo marcaram gerações. Em uma época de pouco acesso a internet. Suas crônicas seguirão eternizadas em cada coração rubro-negro. Obrigado!”, diz outra publicação.
Também houve relatos pessoais sobre a convivência com o cronista. “Quando o Arthur Muhlenberg começou o tratamento, me procurou pra pegar dicas e tirar dúvidas. Sinto-me lisonjeado por ter tão subida honra. Tu és um guerreiro, irmão. Descanse em paz. A nação sentirá sua falta”, escreveu um usuário.
Além do blog, Muhlenberg atuou como colaborador do Grupo Globo desde 2007 e participou de diferentes formatos, como podcasts e vídeos do ge, sempre como representante da torcida do Flamengo. Seu estilo combinava linguagem elaborada e humor ácido, além da criação de expressões que ganharam circulação entre torcedores.
Autor de diversos livros sobre o clube, como “Manual do rubro-negrismo racional”, “Hexagerado”, “Heptacular” e “Libertador”, ele construiu uma produção que dialoga diretamente com a identidade da torcida.
O Flamengo também se manifestou sobre a morte e destacou o papel do cronista na história recente do clube. Em publicação, afirmou que Muhlenberg foi “um dos mais brilhantes cronistas da nossa história recente” e ressaltou sua capacidade de traduzir o sentimento da torcida.
“Arthur não apenas torcia; ele decifrava o que é ser Flamengo. Através de suas palavras no “Urublog”, em seus livros como o “Manual do Rubro-negrismo Racional” e em sua constante presença nas redes sociais, ele deu voz a milhões, transformando a arquibancada em literatura.”
O clube também escreveu que “sua partida deixa um vazio imenso no coração da Nação” e encerrou a homenagem com a mensagem: “Descanse em paz, Arthur. Mengão sempre!”.
