Em audiência pública, comunidades rurais do DF reclamam da falta de água e de energia elétrica


Em audiência pública, comunidades rurais do DF reclamam da falta de água e de energia elétrica

Proposto pelo deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), o debate reuniu representantes da Caesb, Adasa, Neoenergia, Emater/DF e Secretaria de Agricultura do DF

Iluminação pública precária; quedas frequentes de energia e picos de tensão; ausência de fornecimento de água potável, e abastecimento por caminhões-pipa ou em “baldes de água na cabeça”: essas reclamações foram compartilhadas por moradores de assentamentos, acampamentos e outras áreas rurais do Distrito Federal durante audiência pública da Câmara Legislativa, na noite dessa quinta-feira (23). Proposto pelo deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), o debate reuniu representantes da Caesb, Adasa, Neoenergia, Emater/DF e Secretaria de Agricultura do DF. 

“Quando a gente fala de energia elétrica e de água, estamos falando de coisas que são tão básicas à vida humana que nem deveriam ter que ser discutidas, deveriam já ser, obviamente, atendidas”, defendeu Pedrosa no início do debate.

O distrital apontou que o objetivo da audiência é ouvir as reivindicações das comunidades e construir soluções junto aos órgãos responsáveis. “Tudo vai constar em ata, e vamos cobrar respostas para cada uma das demandas apresentadas”, asseverou. 

Ao longo do debate, moradores de áreas rurais localizadas em diversas regiões administrativas, da Saída Norte à Saída Sul do Distrito Federal, apresentaram um cenário de “precariedade dos serviços de água e energia elétrica”. Lideranças e moradores de comunidades como Bela Vista, Palmeiras e Estrela do Amanhã reclamaram da ausência de rede de água potável e do abastecimento por caminhões-pipa. Em alguns núcleos rurais, como o Margarida Alves, as famílias realizam rodízio para usarem a água de um poço artesiano.  

“Precisamos de água, precisamos de dignidade”, cobrou Natália Imaculada Pinto, do Bela Vista, onde vivem 103 famílias. Ela contou que a Caesb “prometeu” um poço há três anos, mas nada foi feito, o que levou os moradores a realizarem “gambiarras” que funcionam, precariamente, por algumas horas. 

“Eu não consigo admitir morar em Brasília e viver carregando água no balde na cabeça; a gente não está 50 anos atrás, lá no Nordeste; a gente está no centro de Brasília”, lamentou Carlos Alberto, do assentamento rural José Wilker, em Sobradinho. Ele se queixou, ainda, da qualidade da rede de energia elétrica na localidade, relatando que as frequentes quedas de energia e picos de tensão queimam bombas de irrigação, geladeiras e outros equipamentos elétricos

“Estamos a 52 quilômetros desta Casa Legislativa e a 20 km da Administração de Planaltina. É uma distância tão pequena, e sofremos tanto quanto quem mora nos rincões do País. Não somos atendidos por uma rede elétrica condizente com a capital federal, mas pagamos os impostos de quem vive nela”, reclamou Márcia Daniela Oliveira Marques dos Santos, do Núcleo Rural Quintas do Rio Maranhão. 

 

Foto: Comunicação / Gabinete Eduardo Pedrosa

 

Além disso, a moradora registrou outra reclamação comum a várias comunidades rurais do DF: a falta de iluminação pública. Segundo ela, somente 37% dos postes do Quintas do Maranhão têm lâmpadas, obrigando os moradores a enfrentarem o escuro em áreas com a presença de animais selvagens. “Os senhores sabem o que é chegar em casa à noite, no escuro, morando ao lado de uma reserva onde tem onça? Sabem o que é abrir uma porteira sem conseguir ver se tem uma cobra?”, questionou. 

No Jardim do Éden, localizado no Núcleo Rural Ponte Alta Norte, no Gama, a situação é parecida. Segundo a moradora Yara Lilian Gomes Ferreira, quando a Neoenergia ganhou a concessão do serviço no DF, há cinco anos, a empresa tirou vários “braços de luz” das ruas. “Sumiram com nossas lâmpadas, com os nossos braços de luz e até hoje não voltaram. Nós estamos às escuras”, disse.   

Compromissos e respostas 

Representando a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb), Antônio Luís Harada informou que estão sendo realizados estudos para a perfuração de poços nos núcleos rurais Palmeiras e Bela Vista. Além disso, ele se comprometeu a verificar a situação do convênio firmado com o Incra para levar água para outras localidades. 

As demandas sobre o fornecimento de energia elétrica foram respondidas pela superintendente de Relações Institucionais e Governamentais da Neoenergia, Juliana Pimentel. Ela ponderou que o atendimento a áreas em regularização depende de autorização governamental, por meio do comitê “Energia Legal”. No caso do Assentamento José Wilker, o pedido já foi encaminhado, segundo informou. Ela destacou, ainda, que as questões relacionadas à iluminação pública são de responsabilidade da CEB. 

Também comentaram o cenário das comunidades rurais o presidente da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater/DF), Cleison Medas Duval; o superintendente de Abastecimento de Água e Esgoto da Agência Reguladora de Águas, Energia e Saneamento Básico do DF (Adasa), Rafael Machado Mello, e o secretário-executivo de Agricultura da Secretaria da Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (Seagri-DF), Pedro Paulo Gama. 

Ausências 

Representantes da CEB e de outros órgãos envolvidos na discussão não compareceram ao debate. O deputado Eduardo Pedrosa afirmou que todas as demandas relativas à iluminação pública serão encaminhadas para a empresa pública, que deverá responder “cada uma delas no prazo de duas semanas, sob pena de convocação de seu presidente”.  

O parlamentar criticou, também, a ausência do Incra e da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) – que faz a gestão de imóveis federais rurais localizados no DF. “Grande parte das redes de energia, muitas delas insuficientes, foram feitas pelo Incra, e a gente também tem que entender a responsabilização desses órgãos nesse processo”, apontou Pedrosa. 

 

Confira a transmissão da audiência, na íntegra: 

 

 



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