‘A opção ainda está bem presente’


Após a vitória e classificação do Vasco às semifinal da Copa Sul-Americana, nesta terça-feira, o treinador Pedro Emanuel reforçou que o elenco segue confiante na mudança de rumo no Campeonato Brasileiro, em que briga para sair da zona de rebaixamento. Além disso, também comentou a possibilidade de jogar a próxima fase no estádio Maracan

— Essa pressão é a pressão que nós queremos. Primeiro para nós, é a pressão de ganhar. E, depois, aquela pressão do campeonato, que nós sabemos qual é a história do Vasco, sabemos onde queremos pôr o Vasco e essa pressão não, não podemos fugir dela. Não a vejo com negatividade nenhuma. Vejo-a sim com, com um sentido de responsabilidade. E todos estes jogadores têm demonstrado um grande sentido de responsabilidade. Primeiro, porque têm cumprido na íntegra todos os planos que nós temos delineado para os jogos. E depois porque, de fato, este espírito que reina dentro da equipe é construído por eles, num sentimento de grande respeito que eles têm uns pelos outros e de grande respeito pelo trabalho que estão a fazer pela instituição que representam. E isso para mim é a conjugação perfeita para que possamos ter mais vezes celebrações destas no final do jogo, com a nossa torcida e mesmo dentro do nosso local de trabalho.

O técnico esquivou de comentários sobre a possibilidade da equipe jogar a semifinal do torneio no Nilton Santos, estádio do Botafogo, em meio à desavença com o consórcio Fla-Flu pela manutenção de duelos no Maracanã. Ele reforçou que não vale discutir agora “porque neste momento não faz sentido para mim”, já que o Maracanã ainda está em negociação.

De acordo com o regulamento da Conmebol, não é possível jogar em estádios com capacidade menor que 30 mil lugares. São Januário comporta pouco mais de 20 mil. Com isso, o clube terá que buscar outros lugares. Maracanã é o alvo principal, mas Nilton Santos não está descartado.

— Vou tentar ser o mais sincero possível. Se me perguntassem onde quero jogar a semifinal, diria São Januário. É importante para nós. Não ganhamos nada em uma competição, mas estamos próximos de atingir algo que pode ser marcante. Acho que nossa torcida merecia ter isso no nosso estádio. Não sendo possível, seguimos com a opção do Maracanã. Mais do que isso não posso responder, porque acho que ainda está bem presente a opção B. Não vou para a opção C se quero a B — disse.

A equipe já teve o estádio negado para a partida da Copa do Brasil contra o Vitória.

O treinador também exaltou a recuperação de Saldivia dentro do jogo. O zagueiro cometeu um erro que poderia ter gerado um gol para o rival quando ainda estava 0 a 0. Ele já vinha sendo criticado por falhas em diferentes lances na temporada. No entanto, conseguiu se reencontrar em campo e dar uma assistência para o primeiro gol do jogo, de Bruno Duarte.

— Não gosto muito de particularizar os jogadores, mas sem dúvidas o Saldivia, quando cheguei, era um dos jogadores que tinha tido atuações não tão boas. A torcida tem o direito de cobrar. Isso é com tudo, e vai acontecer comigo com certeza absoluta, mais cedo ou mais tarde. Nós transmitimos ao jogador aquilo que pretendemos, e aquilo que achamos que ele pode melhorar. É ele entender isso, e depois ter o caráter que ele tem para hoje, logo no início do jogo, cometer um erro e ter a capacidade de corrigi-lo. Ele próprio vai corrigir e não deixar que isso o afete. Naturalmente, tem um grupo que sempre o apoiou. Cada jogador vive as situações à sua maneira. Uns mais intensos, outros com mais serenidade, mas esse grupo tem mostrado que apoia a todos. Acho que isso também foi o grande segredo: ele sentir, por parte de todos, o carinho que é necessário em momentos piores da vida. Tirando esse momento, ele, entre outros, fez uma exibição quase imaculada, perfeita. Essa tem que ser a satisfação dele. Foi chamado, não é fácil. Temos tido uma dupla atrás que tem sido bastante consistente desde que eu cheguei, o Carlos (Cuesta) e o Robert (Renan). Hoje não podia jogar o Cuesta, por isso mesmo (Saldivia) foi chamado e correspondeu dentro do que eu esperava.

Já no meio de campo, o treinador comentou sobre a escolha por Sosa no lugar de Barros, que se lesionou durante o aquecimento e ficou de fora da partida. Jair vinha se tornando a peça principal na posição, mas se lesionou em meio à chegada de Sosa, que tomou o lugar. Com o campo cheio por conta da chuva, o treinador foi questionado se escolheu preservar o atleta que acabou de retornar de lesão.

— Não só por causa do gramado, mas também (Sobre escolher Sosa e não Jair). Acho que é uma boa analogia, porque o Jair, até o momento em que se lesionou, estava se tornando importante na equipe. Tem mais a ver com a característica do jogo e do adversário. Eles (Santa Fe) têm dois atacantes muito fortes nos duelos físicos, jogadores que poderiam criar problemas nesse sentido, e tanto o Barros quanto o Sosa encaixam melhor nesse contexto de fisicalidade do jogo. Foi por isso a minha opção inicial. E também, o gramado estava muito pesado. Para quem vem de algum tempo de ausência, como é o caso do Jair, é uma situação que exige cuidado. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu com o Barros. Vamos ver se tem alguma gravidade ou não. Mas, dentro das características que eu procuro para cada jogo, o Sosa, na substituição do Barros, estava mais próximo daquilo que eu pretendia do que o Jair. Estava contando com o Jair no decorrer do jogo, mas, pela forma como o gramado começou a ficar impraticável e muito pesado, achei que não era o indicado. Preferi colocar o Freitas para nos dar um pouco mais de solidez e também permitir poupar um pouco o Sosa.

A próxima partida da equipe será no sábado, diante do Coritiba, pela 28ª rodada do Brasileiro.



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