Por uma década, o Manchester City entrou na Premier League sempre entre os candidatos, quando não como favorito, ao título da competição. Agora sob o comando de Enzo Maresca, os Citizens vivem um início de temporada cercado de incertezas e buscam uma nova vida sem o técnico Pep Guardiola e três pilares da era mais vitoriosa do clube: Rodri, Bernardo Silva e Stones.
O primeiro desafio no Campeonato Inglês é hoje, às 10h, contra o Bournemouth, do brasileiro Rayan, no Etihad Stadium. Disney+ e CazéTV transmitem o confronto.
Guardiola encerrou em maio uma passagem que transformou o City em potência do futebol inglês — foram seis títulos da Premier League, uma Liga dos Campeões e 20 troféus no período. Rodri foi vendido ao Barcelona, enquanto Stones e Bernardo Silva saíram de graça para Inter de Milão e Real Madrid, respectivamente.
A diretoria do City sabe que a mudança foi brusca, mas a expectativa interna é de que o clube siga na briga pelos títulos da temporada.
— A base do elenco acabou, sem contar que também não existe mais o Guardiola. As decisões da direção praticamente absolvem o Maresca. Na primeira temporada, ele perde as lideranças do vestiário. Fica apenas o Rúben Dias. Ele vai ter que construir uma nova filosofia e descobrir quem serão os líderes de um novo time — apontou Mário Marra, comentarista da ESPN.
Além de perder os três pilares, o clube inglês também vendeu peças importantes, como Reijnders, ao Al-Qadsiah, Akanji, à Inter de Milão, e Aké, ao Fenerbahçe, e está perto de concluir as vendas de Savinho e Omar Marmoush ao Tottenham. Até o momento, a única contratação foi o volante Elliot Anderson, vindo do Nottingham Forest.
Para piorar, a primeira partida oficial da nova era não ajudou a diminuir a desconfiança dos torcedores. O City perdeu por 3 a 0 para o Arsenal na Supercopa da Inglaterra, em um jogo no qual a equipe de Maresca encontrou dificuldades para reagir à superioridade do adversário.
Apesar do início promissor de carreira, com os títulos da Copa do Mundo de Clubes e da Conference League pelo Chelsea, Maresca inevitavelmente passará por um período de comparações com Guardiola.
Auxiliar do espanhol entre 2022 e 2023 no City, o italiano de 46 anos foi escolhido justamente para manter o estilo de jogo de Guardiola e já deixou claro que não pretende jogar fora o legado que recebeu.
— Maresca chega ao City sem ter um décimo do que o Guardiola já tinha construído em termos de reputação quando chegou ao clube após treinar o Barcelona e o Bayern de Munique. É uma mudança muito radical. Acho que vai ser muito difícil ser competitivo no curto prazo — destacou Carlos Eduardo Mansur, comentarista do SporTV e colunista do GLOBO.
Apesar das grandes mudanças, o Manchester City tem a seu favor o poderio financeiro — é gerido pelo Abu Dhabi United Group, cujo proprietário é o sheik Mansour bin Zayed, membro da família real de Abu Dhabi — para repor as saídas e corrigir a rota, se necessário.
— Eu não espero ver o City campeão. Acho que irá lutar por uma vaga na Liga dos Campeões — aposta Marra.
Apenas o tempo dirá se os Citizens construíram uma estrutura capaz de sobreviver sem suas principais peças ou se terão de descobrir um novo caminho para seguir no topo do futebol inglês.
