O pagode dos anos 90 tem dominado a cena musical. Muitos músicos e compositores que fizeram sucesso na época com o gênero seguem com shows badalados e participações em eventos organizados para os fãs nostálgicos. Mas também há os novos ouvintes, que se identificam com as letras. O estrondo é tanto que teve até documentário exibido na TV Globo sobre o movimento! Nesse fim de semana, no Rio de Janeiro, há várias apresentações de músicos que começaram a brilhar há três décadas. É o caso de Netinho de Paula, que foi vocalista do grupo Negritude Junior na época.
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— O público amadureceu com a gente. A galera que curtia nossos shows nos anos 90 hoje leva os filhos, e até os netos, para curtir junto. O pagode 90 deixou de ser apenas a música do momento para se tornar um patrimônio cultural do brasileiro! Você sobe no palco e a voz do povo abafa o som das caixas — celebra o artista, que se apresenta amanhã no Engenho de Dentro com Chrigor e Marcio Art.
Charlles André, ex-vocalista e compositor do grupo Os Morenos, acredita que os músicos que fizeram sucesso na época se surpreendem com a nostalgia dos fãs e a repercussão do repertório até hoje.
— O mais legal é ver a nova geração cantando nossas músicas, que seguem atuais. O público jovem se envolve, chora, se arrepia com as mesmas histórias que são contadas já há mais de 30 anos — diz o artista, que faz show hoje no Andaraí: — Os grupos tinham muita personalidade na época, embora fossem muitos. O Molejo tinha uma cara diferente da do Katinguelê, diferente da dos Morenos, diferente da do Negritude Júnior, diferente da do Raça Negra…
E por que as músicas seguem na boca do povo depois de tanto tempo? Salgadinho, que canta amanhã em Madureira e foi vocalista do Katinguelê, opina:
— O movimento do pagode 90 pega várias camadas da sociedade. E a cultura da música periférica e da música preta é muito forte na sua ancestralidade. Eu acredito que é realmente uma missão. Além disso, o romantismo também ajuda a ir longe.
Para Netinho, as músicas da época foram a trilha sonora na vida de muita gente em momentos de amor, alegria e dores, o que também pode explicar a longevidade.
— Esse sucesso é a prova de que a música feita com o coração, falando a língua do povo, não envelhece — pontua ele, olhando para o cenário da música atual: — O amor pela cultura, o samba e a periferia continua. A molecada de hoje é extremamente talentosa e herdou a nossa ousadia. Eles seguem misturando ritmos e não têm medo de falar dos sentimentos. Para nós, a maturidade traz outro olhar para a vida e a carreira. Hoje, minha maior alegria é ter o privilégio de dividir palcos, estúdios e projetos com os meus filhos Levi, Dudu e Vinigram. A gente começa a focar no legado, em passar o bastão para a nova geração, sempre mantendo a nossa raiz comunitária e a identidade fortes.
No Renascença
Neste sábado (15), tem Charlles André no Renascença Clube (Rua Barão de São Francisco 54, Andaraí), a partir das 15h. Ele grava o audiovisual do seu projeto “Lado C” e recebe outros artistas.
Em Madureira
No Viaduto Prefeito Negrão de Lima, no próximo domingo (16), a partir de 12h, acontece o Festival Wakanda In Madureira. Haverá shows de Leci Brandão, Arlindinho e Salgadinho.
No Engenhão
No Armazém do Engenhão (na Praça do Trem), a partir das 13h do próximo domingo (16), rola o evento Samba 90 Graus no Pagode da Feira, com Chrigor, Netinho de Paula e Marcio Art no palco.
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Artistas do pagode 90 analisam e se surpreendem com sucesso atual: 'O público amadureceu com a gente', diz Netinho de Paula
