Cientistas descobrem que orangotangos podem estar se ‘automedicando’

Os orangotangos podem ser mais “médicos” do que se pensava. Uma pesquisa de 20 anos na Indonésia descobriu que esses primatas combinam plantas medicinais de forma não aleatória – como se estivessem criando seus próprios “coquetéis” fitoterápicos.
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O estudo, publicado na Scientific Reports, identificou combinações envolvendo espécies com propriedades anti-inflamatórias, anti-microbianas e anti-parasitárias, incluindo uma liana (Fibraurea tinctoria) que apareceu em 72% das combinações mais fortes.
Mais de cem Orangotangos-de-Bornéu (Pongo pygmaeus) selvagens na Floresta de Sebangau, em Kalimantan Central, Indonésia, foram observados ao longo de 20 anos (2003 a 2023), totalizando mais de 20 mil horas de acompanhamento.
Por até dez dias consecutivos, equipes de dois pesquisadores seguiam orangotangos específicos registrando tudo o que comiam, cruzando os dados obtidos com o conhecimento de duas guias botânicas locais e com um banco de dados etnomedicinal de comunidades Dayak.
“Nesta fase, não podemos afirmar que os orangotangos estejam se ‘diagnosticando’ conscientemente da mesma forma que os humanos fariam”, disse Georgia Allen, que liderou o estudo como parte de seu mestrado em Conservação e Biodiversidade na Universidade de Exeter, à Scitechdaily.
Só que, após a análise dos dados coletados, diversas plantas conhecidas pelos seus poderes medicinais apareceram juntas na dieta dos orangotangos com muito mais frequência do que esperaríamos pelo acaso.
“É importante ressaltar que muitas dessas plantas não são componentes principais da dieta geral dos orangotangos, o que sugere que elas podem ser consumidas por seus benefícios específicos, e não como fontes de alimento do dia a dia”, conclui Allen.
Os autores, no entanto, pedem cautela: os padrões são consistentes com automedicação, mas ainda não provam que os orangotangos o fazem de forma consciente.



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