Conheça o caso perturbador de Karen Greenlee, considerada a maior necrófila da História

Karen Greenlee acreditava estar no leito de morte. Então, ela decidiu escrever uma carta confessando uma fantasia doentia, a necrofilia: ela havia feito sexo com 40 cadáveres.
O fetiche veio à tona em dezembro de 1979, depois que Karen, aos 23 anos, passou a ser procurada pela polícia por roubar um carro funerário que continha o corpo de John L. Mercure, um homem em Sacramento (Califórnia, EUA). À época, a jovem era aprendiz de embalsamadora.
Após ser localizada por policiais, Karen tentou tirar a própria vida com uma overdose de droga. Acreditando que morreria, ela escreveu a carta com os nomes de 40 homens com os quais havia praticado a necrofilia. Ela se descreveu como uma “rata de necrotérios” e disse que achava o cheiro da morte “erótico”.
O documento expôs seus desejos mais sombrios e mudou para sempre a forma como todos que a conheciam e amavam a viam. Ela ficou conhecida como a maior necrófila da História — entre homens, o “título” fica com o eletricista David Fuller, que admitiu ter violado mais de cem cadáveres em necrotérios de hospitais na Inglaterra.
‘Ela admite sexo com mortos’: reportagem sobre necrofilia de Karen Greenlee
Reprodução
A necrofilia não era ilegal na Califórnia àquela época. Assim, Karen enfrentou apenas acusações de roubo de carro funerário e perturbação de funeral. Ela teve de pagar uma multa de 255 dólares (em valores atuais, US$ 1.172, ou R$ 6.110) e passou 11 dias na prisão.
Mas esse não foi o fim de seus problemas jurídicos, pois Marian Gonzales, a mãe de John L. Mercure, tentou processá-la pedindo uma indenização de US$ 1 milhão (US$ 4,6 milhões nos dias de hoje, ou R$ 24 milhões).
No tribunal, Karen admitiu entrar nos caixões de seu local de trabalho para abusar sexualmente dos cadáveres, após beber muito em seu apartamento, que ficava anexo ao necrotério.
Em 1987, ela concedeu uma entrevista bombástica intitulada “A Necrofílica Impenitente”, na qual explicava as diferentes maneiras pelas quais usava homens mortos para alcançar o orgasmo.
“As pessoas têm a ideia equivocada de que é preciso haver penetração para a gratificação sexual, o que é uma grande besteira! A parte mais sensível da mulher é a região frontal, afinal, e é ela que precisa ser estimulada. Além disso, existem diferentes aspectos da expressão sexual: carícias, a posição 69, ou até mesmo dar as mãos Aquele corpo está apenas ali, mas tem o que é preciso para me fazer feliz. O frio, a aura de morte, o cheiro de morte, o ambiente fúnebre… tudo isso contribui”, contou ela.
“Acho o odor da morte muito erótico. Existem diferentes tipos de odores de morte. Um corpo que ficou boiando na baía por duas semanas ou uma vítima de queimaduras não me atrai muito, mas um cadáver recém-embalsamado é outra história”, acrescentou ela.
No fim dos anos 1970, Karen Greenlee confessou ser necrófila em série: abuso de 40 cadáveres
Reprodução/Tumblr
Mas o que mais chocou muitas pessoas foi o fato de ela não acreditar que o que havia feito fosse errado — e não ter planos de parar:
“Por um tempo, eu pensava: É, isso não é normal. Por que não posso ser como as outras pessoas? Passei por todo esse inferno pessoal, mas finalmente me aceitei e percebi que sou assim mesmo. Essa é a minha natureza, então é melhor eu aproveitar. Fico infeliz quando tento ser algo que não sou.”
Ninguém sabe onde Karen está agora, mas acredita-se que ela tenha mudado de nome e se mudado para começar uma vida nova após a publicação da entrevista.
A psicologia e a psiquiatria veem a necrofilia como um transtorno parafílico (parafilias são padrões de comportamento ou fantasias sexuais intensos e recorrentes focados em objetos, situações ou pessoas atípicas) raro e grave, caracterizado pela atração ou excitação sexual por cadáveres. Ela reflete uma ruptura profunda na organização da afetividade e do desejo humano, sendo associada a um mecanismo de controle absoluto e à negação da alteridade (capacidade de reconhecer e respeitar o outro como um ser único, com ideias, valores e culturas diferentes dos seus) de outras pessoas. Na psicanálise, a necrofilia é considerada uma perversão.



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