Entenda o que é o Transtorno de Excitação Genital Persistente: sintomas e quando buscar ajuda

Imagine sentir formigamento, pulsação, pressão, inchaço ou uma sensibilidade intensa na região genital sem estar pensando em sexo e sem desejar qualquer contato. Essas sensações podem durar horas, reaparecer várias vezes ao dia e, em alguns casos, persistir por períodos ainda maiores. Esse quadro tem nome: Transtorno de Excitação Genital Persistente, o TEGP, atualmente também chamado de disestesia Genitopélvica.
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Apesar do nome, o TEGP não significa libido elevada, compulsão sexual nem facilidade para sentir prazer. O corpo apresenta sinais parecidos com os da excitação, congestão genital, lubrificação, contrações, vibração ou sensação de que um orgasmo está próximo, mas a mulher não está sexualmente excitada. Frequentemente, o que ela sente é incômodo, aflição, dor, ardência ou exaustão.
O orgasmo pode aliviar por alguns minutos, não fazer diferença ou até piorar os sintomas. Portanto, dizer à mulher que ela deveria “aproveitar” é desinformado e cruel, mesmo porque, tem horas que não adianta se masturbar, é possível que vá chegar ao extremo e até se ferir, sem o alívio do orgasmo esperado.
O que pode ocasionar o TEGP?
Não existe uma causa única. O problema pode estar relacionado à irritação ou compressão de nervos da pelve, especialmente o nervo pudendo; tensão excessiva do assoalho pélvico; alterações na coluna lombossacra; cistos de Tarlov (bolsas benignas preenchidas por líquor que se formam nas raízes dos nervos da coluna, principalmente na região sacral, base da espinha); problemas vasculares, como congestão pélvica; infecções ou doenças da vulva e da bexiga; alterações hormonais e efeitos de medicamentos.
O início, a troca ou principalmente a retirada brusca de alguns antidepressivos também já foi associado ao quadro. Isso não significa que a mulher deva suspender a medicação por conta própria, justamente o contrário: Qualquer mudança precisa ser orientada pelo médico.
Ansiedade e estresse podem aumentar as sensações, mas isso não torna o TEGP “coisa da cabeça”. Há um sintoma físico real que merece investigação.
Quando procurar ajuda médica?
Procure um ginecologista, de preferência com experiência em dor vulvar ou sexualidade, quando as sensações forem involuntárias, repetidas, durarem horas, atrapalharem o sono, o trabalho, a vida sexual ou provocarem sofrimento. Dependendo dos sintomas, podem ser necessários avaliação do assoalho pélvico, neurologista, urologista ou exames da coluna e da pelve.
A avaliação deve ser mais rápida se houver dor intensa ou crescente, feridas, sangramento, corrimento com odor forte, febre, dificuldade para urinar ou se os sintomas começarem após o uso ou a interrupção de algum medicamento.
Procure um serviço de urgência se, junto com o incômodo genital, aparecerem fraqueza nas pernas, perda de sensibilidade entre as pernas, perda do controle da urina ou das fezes ou dor lombar súbita e forte.
O que pode aliviar em casa?
Enquanto aguarda a consulta, algumas medidas simples podem reduzir o desconforto:
· Use roupas folgadas e calcinha de algodão. Evite costuras apertadas e pressão prolongada sobre a região.
· Faça uma compressa fria envolvida em tecido por poucos minutos. Nunca coloque gelo diretamente na vulva.
· Observe possíveis gatilhos, como permanecer muito tempo sentada, pedalar, estresse, certos exercícios ou estimulação local. Anote quando os sintomas aparecem.
· Pratique uma respiração lenta, relaxando conscientemente abdômen, glúteos e períneo. Não faça exercícios de Kegel nem a prática da ginástica íntima sem avaliação, pois contrair ainda mais uma musculatura já tensa pode piorar o quadro.
· Evite sabonetes perfumados, duchas, desodorantes íntimos e receitas irritantes. Não insista em masturbação ou relações sexuais se aumentarem o desconforto.
A pomada de lidocaína, conhecida como Xilocaína, a 2% pode anestesiar superficialmente a área e acalmar temporariamente a sensação, mas não trata a causa nem soluciona o TEGP.
Na vulva e principalmente na mucosa, o medicamento pode ser absorvido com maior facilidade. Por isso, deve ser usado somente após orientação médica, em quantidade mínima, pelo tempo indicado e sobre pele íntegra. Não aplique dentro da vagina, em feridas, em áreas extensas, com calor ou curativo fechado. Não repita a aplicação várias vezes nem use antes da relação sexual, pois a dormência
pode esconder lesões e ser transferida para o parceiro. Pessoas alérgicas a anestésicos locais ou com problemas cardíacos ou hepáticos necessitam de cautela especial.
O TEGP tem tratamento, mas a solução depende da origem. Fisioterapia pélvica, ajuste de medicamentos e tratamentos neurológicos, vasculares ou específicos para a dor podem fazer parte do cuidado. O primeiro passo é vencer a vergonha e procurar um profissional que escute sem julgamento.
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