O Flamengo votou contra todas as mudanças propostas pela CBF nesta segunda-feira, em reunião que alterou algumas regras nas Séries A e B do Brasileirão. Por exemplo, uma delas diz respeito à redução no limite de jogadores estrangeiros permitidos em cada elenco, e outra envolve a criação de uma cota mínima de atletas sub-23.
Representado pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o rubro-negro decidiu não levar nenhuma proposta em conta, e votou contra todas. Ainda assim, o clube não é realmente contrário à totalidade das propostas, e Bap ressaltou que levou várias sugestões em reunião realizada na última semana.
A votação realizada hoje na sede da CBF foi marcada por divisão de opiniões. Porém, mesmo sem votação unânime, os clubes das Séries A e B votaram por reduzir o teto de estrangeiros, que hoje é de nove por time numa partida. Além disso, concordaram em criar uma cota mínima de atletas sub-23 inscritos no campeonato. As duas mudanças serão graduais.
O máximo de nove estrangeiros que cada clube pode relacionar numa partida irá cair para oito em 2027. A partir daí, a redução será de um por edição até chegar a cinco em 2030, objetivo final do movimento.
Com isso, o Brasileirão voltará a ter, daqui a quatro anos, o limite de estrangeiros que tinha até 2022 e que imperava desde 2014. Esta mudança não afeta a edição atual, que está em andamento, e não vale para as competições da Conmebol (Libertadores, Sul-Americana e Recopa Sul-Americana).
Hoje, o Flamengo conta com dez estrangeiros em seu elenco e já precisa deixar pelo menos um deles fora da lista de relacionados em jogos do Brasileirão.
Como ficará o limite de estrangeiros no Brasileirão:
- 2026 (edição atual, sem mudanças): nove por clube numa partida
- 2027: oito por clube
- 2028: sete por clube
- 2029: seis por clube
- 2030: cinco por clube
Já a cota de atletas sub-23 envolve uma diretriz a ser adotada na lista de inscritos no Brasileirão, de 50 atletas por elenco. Hoje, não há nenhum direcionamento, havendo liberdade para os clubes inscreverem quem bem entenderem. A partir de 2027, haverá uma cota mínima para aqueles com até 23 anos.
No ano que vem, os clubes precisarão inscrever um mínimo de 20 jogadores sub-23 na lista de 50. Na edição seguinte, de 2028, esta cota subirá para 21. Em 2029, o mínimo será de 23. Por fim, em 2030, ele será de 25 atletas.
Como vai funcionar a cota mínima por clube para atletas sub-23 dentro da lista de 50 inscritos no Brasileirão:
- 2027: 20 sub-23 + 30 (sem restrições)
- 2028: 21 sub-23 + 29
- 2029: 23 sub-23 + 27
- 2030: 25 sub-23 + 25
Com esta mudança, a CBF e os clubes garantem que, daqui a quatro anos, o grupo de atletas com até 23 anos e o daqueles em idade mais avançada (ou seja: com a maturidade alcançada) seja o mesmo: de 25 para cada. No entanto, não há nenhuma obrigação de utilização mínima de cada um. Esta decisão continua sendo integralmente das comissões técnicas.
Ainda assim, o objetivo final das duas medidas é tornar o Brasileirão uma liga com espaço para jogadores mais jovens, principalmente os revelados. Ao cruzar os indicadores levantados pelo grupo de estudos, a CBF entendeu que o aumento do número de estrangeiros está contribuindo para a queda da minutagem dada a jogadores revelados no futebol brasileiro.
A edição 2026 do Brasileirão registra que os brasileiros sub-23 recebem 11,5% dos minutos totais dados aos jogadores do campeonato. Este índice vem caindo desde 2020, quando foi de 28,3%. Já o de estrangeiros acima de 23 ano segue movimento oposto. De 7,1% em 2021 chegou a 25% na edição atual.
Além disso, a CBF quer rejuvenescer a média de idade dos atletas inscritos, hoje em 28,5 anos. Ela subiu em mais de um ano desde 2021, quando era de 27,3, e, hoje, é maior do que a de todas as cinco principais ligas da Europa.

