O Fluminense tem pela frente um desafio à altura de uma semifinal da Libertadores. Afinal, enfrentar o Palmeiras de Abel Ferreira, que eliminou ontem a LDU na altitude de Quito, no Equador, segue como uma das missões mais indigestas do futebol sul-americano. Mas, ao mesmo tempo, o tricolor vê motivos para desbancar esse “bicho-papão”, que traz boas lembranças recentes, e disputar sua terceira decisão do torneio (2008 e 2023). Os jogos de ida e volta estão previstos para as semanas dos dias 14 e 22 de outubro.
Logo após a saída de Luis Zubeldía, Marcão assumiu como interino e fez seu primeiro jogo justamente diante do Palmeiras, que ainda liderava o Campeonato Brasileiro naquele momento antes de ser ultrapassado pelo Flamengo. No Maracanã, o alviverde ficou à frente do placar duas vezes, mas o tricolor foi levemente superior — finalizou mais vezes ao todo (17 a 15) — e encontrou forças para virar em 3 a 2, com direito a gol do ídolo Germán Cano nos acréscimos.
O confronto também marcou uma mudança de postura e desempenho do Fluminense, que vinha de uma sequência negativa com o antigo comandante, mas, enfim, reencontrou o caminho das vitórias. A virada de chave na temporada foi fundamental para a equipe superar, na sequência, o Independiente Rivadavia nos pênaltis, em Mendoza, na Argentina, e chegar às quartas de final da Libertadores.
Apesar da melhora do Flu com Marcão, o Palmeiras, que já tinha um elenco bastante qualificado nos últimos anos, trouxe para esta temporada mais jogadores que dispensam comentários tecnicamente. Além de Marlon Freitas e Alexander Barboza, ambos ex-Botafogo, Jhon Arias elevou o nível do ataque e reencontrará o tricolor pela terceira vez no ano. No Maracanã, o meia-atacante colombiano foi alvo de muitos xingamentos e vaias da torcida tricolor, o que não deve ser diferente desta vez.
Mesmo com o variado cardápio à disposição, Abel Ferreira ainda recebe críticas pelo estilo de jogo adotado. É verdade que o time poderia ser mais envolvente e ofensivo, mas, ao mesmo tempo, é inegável a eficiência. Não à toa, é um dos poucos que ainda seguem vivos em três competições: Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.
Um dos pontos que também fazem o Fluminense ligar o sinal de alerta é o fato de decidir no Nubank Parque, em São Paulo, já que se classificou como o pior segundo colocado da fase de grupos. Por outro lado, o estádio traz uma boa lembrança: em 2024, Kevin Serna marcou o gol da vitória tricolor por 1 a 0 e salvou o time do rebaixamento na última rodada do Brasileiro.
Sob o comando de Marcão, a equipe ainda não venceu como visitante (dois empates e duas derrotas), até porque cai consideravelmente de rendimento quando está longe de sua torcida. Prova disso foi a atuação ruim diante do Platense (2 a 1), na terça-feira passada, em Buenos Aires, na Argentina, pelo jogo de volta das quartas de final. Na ida, o tricolor levou a melhor por 2 a 0 e, por isso, avançou no confronto.
Entre qualidades e defeitos, é indiscutível que Fluminense e Palmeiras são duas das melhores equipes da América do Sul. As cartas estão na mesa.
