Guardas municipais prendem argentino por injúria racial em Copacabana

Um argentino de 67 anos, identificado como José Luis Haile, foi preso em flagrante em Copacabana, na Zona Sul do Rio, na última segunda-feira, por injúria racial contra uma jovem de 23, que foi chamada de “negra puta”. Um outro argentino presenciou a cena e acionou uma dupla de guardas municipais que deteve o autor das ofensas e o levaram para a 12ª DP (Copacabana). Na terça-feira, após audiência de custódia, a Justiça do Rio converteu em preventiva a prisão do estrangeiro, que mora no Brasil há dois anos.
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O episódio aconteceu numa filial do supermercado Mundial, na Rua Siqueira Campos. Em depoimento, a vítima, Samara Rodrigues de Lima, contou que estava à frente do suspeito em uma fila, aguardando a liberação do caixa, quando o homem começou a reclamar da demora. Houve um desentendimento entre os dois e, durante a discussão, o idoso fez xingamentos de cunho racista contra a jovem.
Samara trabalha no estabelecimento como expedidora de mercadorias do Rappi, aplicativo de delivery. A função envolve separar e despachar produtos comprados por clientes através da plataforma. Ela conta que tinha quatro pedidos para passar no caixa. Em vez de se direcionar aos que já estavam funcionamento, preferiu se posicionar, por volta das 8h10, diante de um que ainda seria aberto, achando que seria mais rápido do que enfrentar filas. A funcionária do caixa iniciou a operação cerca de dez minutos depois.
O argentino chega à 12ª DP acompanhado por guardas municipais
Guarda Municipal/Divulgação
Nesse intervalo, ao resolver aguardar atrás de Samara, o argentino começou a reclamar que a caixa era muito lenta. Samara, então, interveio, dizendo que ela não era lenta e que ele sabia que o caixa estava fechado quando entrou na fila. Em seguida, José fez um gesto com a boca e emitiu um “shiu”, sugerindo que Samara se calasse. Ela retrucou, dizendo para ele não a mandasse ficar quieta. Foi quando o argentino proferiu “negra puta” duas vezes.
— Quando ele chegou atrás de mim, um colega que estava comigo disse que provavelmente iria demorar um pouco, porque o caixa ainda seria aberto, mas ele resolveu continuar. Conforme foi chegando a gente atrás dele, ele começou a reclamar. Eu fingi que não estava ouvindo, para não me estressar. Só que, em certo momento, ele começou a chamar a gente de lerda. Ele queria causar uma discórdia contra a gente. Então, eu disse que ele estava errado, porque ele entrou numa fila em que nem tinha operadora. Só que quando me dirigi a ele, ele começou a fazer “shi” muito alto. E eu disse que se ele estava reclamando comigo eu também poderia reclamar com ele. Em seguida, ele o palavrão racista — detalha a vítima, em converso com o Extra.
A cena, do momento em que a operadora chegou até Samara passar a última compra, durou cerca de 15 minutos.
— Eu comecei a me exaltar com ele e o chamei de covarde, porque na hora do insulto racista ele falou baixinho. No momento, fiquei bem nervosa e com raiva. Eu não esperava que isso fosse acontecer e esperava um pouco mais de apoio do pessoal do mercado, mas os seguranças não fizeram nada. Voltei a trabalhar nesta quarta-feira. Ontem, não consegui trabalhar. Estou me sentindo fadigada, um pouco frustrada ainda e com medo de que esse tipo de situação possa acontecer de novo — relata Samara.
Quem interferiu na situação para prestar ajuda à vítima foi o pedreiro Juan Esteban Garcia, também argentino, que presenciou toda a cena, ouviu os insultos proferidos contra Samara e se indignou com a situação. Chamou os seguranças, ligou para a polícia e, por fim, conseguiu que dois agentes da Guarda Municipal fizesse a prisão do suspeito.
— Inicialmente, não dei muito importância, porque achei que fosse uma discussão boba. Mas quando o moço racista a mandou calar a boca e a xingou, vi que a coisa era séria. E eu resolvi intervir, porque eu vi que ela estava muito vulnerável e achei que era o certo a se fazer. Eu sou pardo, e lá na Argentina também sofremos racismo. Só que lá não tem lei. Então, me coloquei no lugar dela. Tristemente, ainda existe esse tipo de gente, mas temos que agir com mão de aço com eles, senão isso não acaba — narra.
O Extra não conseguiu contato com a defesa de José Luis Haile. Questionado, o Mundial ainda não se pronunciou sobre o caso.
Outro caso de racismo envolvendo turista da argentina
Em 14 de janeiro deste ano, a advogada argentina Agostina Páez foi flagrada em vídeo imitando gestos de macaco para funcionários de um bar em Ipanema, também Zona Sul carioca. Ela chegou a ficar cerca de três meses no Brasil, sob medidas cautelares, antes de pagar fiança de R$ 97 mil e retornar a seu país, onde ainda deverá responder judicialmente pelo caso. O episódio foi repercutido no Brasil e na Argentina.
Agostina Paéz é acusada de racismo
Reprodução
Poucas horas depois de a jovem chegar em seu país, seu pai, o empresário Mariano Páez, foi flagrado em vídeo reproduzindo os mesmos gestos racistas que desencadearam o processo penal contra a filha. Ele imitou movimentos de macaco em um bar de Santiago del Estero, no Norte do país.
Segundo a imprensa argentina, o vídeo teria sido gravado na madrugada de sexta-feira, poucas horas após o retorno de Agostina. O diário La Nación classificou o caso como “um escândalo sem fim”, destacando a repetição do gesto que originou o processo contra a filha. Já o Clarín apontou a atitude como uma “provocação de um pai que não aprende”, enquanto o Diario Popular ressaltou a continuidade da crise, com a divulgação das imagens.
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