‘Ícone da nossa história e do futebol brasileiro’


O defensor Danilo, da seleção brasileira, abriu a coletiva de imprensa desta quarta (17) com palavras de apoio a Carlos Alberto Parreira. O ex-técnico, campeão do mundo, está internado no Rio.

— Queria prestar uma palavra de apoio ao Parreira e a toda a familia. É um ícone da nossa história e do futebol brasileiro. Quero deixar palavra de força, que as coisas corram da melhor forma — afirmou Danilo.

Zinho, aniversariante do dia, e que foi treinado por Parreira na Copa de 94, também falou do ex-técnico:

— Mestre Parreira, paizão, gestor do tetra. Falei com a Vanessa, filha dele, está estável, mas a situação não é das melhores. Que tudo dê certo.

Em meio às polêmicas sobre a pouca utilização de Endrick na seleção, o defensor Danilo, um dos líderes do grupo, afirmou que o atacante do Lyon é uma joia rara e que ele será importante na campanha. O zagueiro do Flamengo ainda relembrou a polêmica entrevista de Casemiro, que ele citou que Endrick ainda era muito jovem e que, por isso, não necessariamente seria protagonista do time.

— É um tema que a gente fantasia muito. Teve a entrevista do Casemiro, que ele falou de uma forma que possa ter dado margem à interpretação. É justo, então cabe a nós, quando senta nessa cadeira, se comunicar da melhor maneira e da forma mais clara possível — afirmou Danilo.

Em entrevista ao canal TNT Sports antes da convocação final para a Copa do Mundo, Casemiro foi perguntado sobre a situação de Endrick, e disse que ele não estava totalmente garantido no Mundial.

— Se ele for para a Copa do Mundo, e temos de ser realistas que ele ainda não é do grupo, a gente não pode botar uma pressão de que vai resolver, que vai entrar nos jogos para resolver. A gente sabe que têm jogadores de frente que precisam puxar mais, tirar mais da equipe (…) A gente não pode colocar uma pressão nele, não pode dizer que ele vai solucionar o nosso problema na Copa do Mundo, porque é muito jovem — afirmou Casemiro, na ocasião.

A polêmica entrevista segue sendo relembrada, já que Endrick não entrou em campo na estreia da Copa, mesmo com o ataque do Brasil sendo pouco produtivo. Questionado, Danilo preferiu rasgar elogios ao atacante.

— Endrick é uma joia rara que temos no futebol brasileiro, tem uma potência na perna, poder de decisão, tem estrela, faz gol sem a gente nem saber como. Queremos ter ele perto. Hoje no treino ele fez gol. Ontem, ele quase tirou o Nannetti (goleiro da base) do treino. Queremos que ele tenha o maior protagonismo possível — disse o defensor. — Na estreia ele não entrou, mas ele vai ser importante para a gente. Falo com ele, mantenha a cabeça fresca, que vai botar a bola para dentro.

Danilo afirmou que a presença de Neymar em campo seria importante somente pelo respeito que ele impõe sobre o adversário.

— Se tem um jogador que é como Neymar, que joga por seu lado, tem muito mais atenção. E pede sempre ajuda. Neymar vai atrair dois ou três e outro do nosso time vai ficar sozinho. Pode nos ajudar muito. Só de estar em campo pode desequilibrar tudo que o adversário prepara.

Danilo, porém, botou pés no chão sobre as condições físicas do astro.

— A gente precisa lidar com realidade, não com questões hipotéticas. Espera que ele esteja bem, se recupere, e contribua. Seja cinco, 10 minutos, ou meia hora. A qualidade dele já foi provada.

Jogar recuado contra adversários mais fortes

Danilo admitiu que o primeiro tempo contra o Marrocos “assustou” o grupo, e que foi uma atuação “completamente aquém daquilo que pede uma seleção brasileira”. Para ele, o ciclo conturbado que a seleção teve contribuiu para o nervosismo do time em campo.

— Acredito sim que a não criação de uma identidade, as trocas constantes, tudo o que aconteceu faz influência nessa questão da ansiedade. Porque quando se tem um plano construído e uma coisa coesa, quando as coisas começam a ficar difíceis, você se agarra naquilo. Mas isso é uma coisa que realmente não conseguimos construir.

O defensor lembrou, então, da sua fala após a derrota em amistoso para a França, e disse que o time tem que saber sofrer, “desenvolver espírito de sacrifício ” e ter a humildade de jogar recuado contra adversários mais fortes, para aproveitar as brechas e “depois defender o resultado com a vida”.

— Não temos a maturidade de uma equipe da França, da Argentina, enquanto equipe. O que não quer dizer que não podemos fazer um bom papel, ganhar, chegar longe. Entretanto, as ferramentas para ganhar as partidas são diferentes, temos que usar outros mecanismos. Talvez ficar um pouco mais baixo, talvez não pressionar tanto, talvez aceitar que a posse de bola e comando do jogo possam ser do adversário. Isso para mim é maturidade. E saber que quando eles derem uma brecha, nós temos Vinicius, Raphinha, Endrick, Rayan. Temos gente que na hora que derem uma brecha, nós vamos fazer o gol.

Danilo também comentou as alternativas da seleção após o corte de Wesley. No momento, o elenco não tem nenhum lateral direito de ofício, já que Danilo e Ibanez atuam como zagueiros em seus clubes. Ederson, convocado na vaga de Wesley, é um volante. O jogador do Flamengo explicou que desde os seus tempos de Manchester City ele responde que não faz mais a função de um lateral de corredor e profundidade, mas sim como um lateral “equilibrador”, que sobe nos momentos certos.

Ele frisou que a torcida brasileira não pode ficar comparando as opções atuais com “monstros sagrados” como Cafu e Roberto Carlos, pois a função de um lateral hoje mudou bastante em relação a décadas atrás.

— A função dos laterais mudou bastante, nao à toa muitos times jogam muitas vezes com zagueiros ali. Lateral passa a ser equilibrador, jogando nos contra-movimentos da pressão do adversario, e vez ou outra chega no ataque. Temos jogadores brasileiros que podem ser importantes assim. O próprio Wesley, o Dodô da Fiorentina, o Vanderson recuperando as condições físicas. Depende do que você está buscando. Impossível comparar com os monstros sagrados. Nao vai encontrar.

Danilo pregou respeito ao Haiti, disse que pensar em goleada seria “falta de respeito”, e que o importante é demonstrar organização e seriedade em busca da vitória. Mas sobre a escalação, ele respondeu em tom bem-humorado.

— Treinador tem cabeça maluca, não tem explicação lógica. Eu espero que eu vá jogar.

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