“Meu sonho é conquistar a Libertadores”. Assim que desembarcou no Rio de Janeiro, essas foram as primeiras palavras de Hulk como reforço do Fluminense. O atacante de 40 anos já esteve perto de realizar esse desejo em 2024, quando o Atlético-MG foi vice-campeão. Aquela derrota na final para o Botafogo, com um jogador a mais, ainda é uma ferida aberta no coração do atacante.
Mas o camisa 7 pode usar essa mágoa como combustível para, enfim, decolar no tricolor, que necessita justamente de um homem-gol para voltar a vencer após a Copa do Mundo — cinco empates e uma derrota até aqui. Apesar de ter sido mais garçom do que artilheiro nas últimas edições do torneio, ele busca recuperar sua antiga versão diante do Independiente Rivadavia-ARG, carrasco do Flu na fase de grupos, hoje, às 19h (de Brasília), no Maracanã, pelo jogo de ida das oitavas de final.
Os números mostram uma tendência no desempenho de Hulk na Libertadores: os gols diminuem a cada ano, enquanto as assistências aumentam desde 2022. Das 16 vezes em que o atacante marcou na competição, 13 (81%) aconteceram antes do mata-mata. Nessa fase, dois dos três gols foram de pênalti, ou seja, apenas um com bola rolando. Por outro lado, ele não desaparece completamente nas eliminatórias: são oito participações diretas em 17 jogos, com três assistências em 2024.
Hulk ainda tenta engrenar no novo clube. Em seis partidas, soma apenas um gol, de pênalti, e uma assistência. É verdade que o recorte ainda é pequeno para prever o futuro, mas a torcida demonstrou impaciência e já vaiou o atacante nesta sequência negativa do time. Enquanto ainda se adapta aos novos companheiros, ele viu John Kennedy, seu principal concorrente, sofrer uma lesão no ligamento cruzado anterior do joelho direito, o que abriu espaço no ataque.
Hulk foi poupado no clássico contra o Botafogo justamente para o jogo de hoje, contra o Independiente Rivadavia. Quem recebeu uma oportunidade no time no clássico foi Castillo, que novamente deixou a desejar tecnicamente e ainda não fez jus ao status de maior contratação da história do clube — 13 milhões de dólares (cerca de R$ 66 milhões na cotação atual).
Por outro lado, Ignácio e Soteldo aproveitaram a oportunidade e colocaram uma pulga atrás da orelha do técnico Luis Zubeldía. Além da atuação de destaque defensivamente, o zagueiro marcou de cabeça o gol de empate, enquanto o venezuelano foi um ponta mais incisivo, o que vem fazendo falta à equipe. A tendência é que o camisa 4 jogue ao lado de Thiago Silva, recuperado de lesão na parte posterior da coxa direita.
Pressionado no cargo pela sequência negativa, Zubeldía sabe que nenhuma palavra de motivação tem mais força do que a vitória no futebol. Para o treinador, isso vale ainda mais na Libertadores, já que a competição virou uma situação de “vida ou morte” no Flu após mais uma eliminação para o Vasco na Copa do Brasil.
O futuro do argentino depende de uma noite especial do tricolor no Maracanã. Caso contrário, a porta de saída pode se abrir de vez. Segundo o blog do Diogo Dantas, no GLOBO, a diretoria tricolor, inclusive, já avalia alternativas a Zubeldía, mas esbarra em um mercado restrito.
