A Delegacia de Homicídios do Distrito Federal investiga mais duas mortes supeitas no Hospital Anchieta, em Taguatinga, onde três técnicos de enfermagem teriam sido responsáveis por três óbitos. Duas pessoas idosas, uma mulher de 80 anos e um homem de 89, morreram entre agosto e setembro do ano passado a unidade. Familiares procuraram a polícia após reconhecerem o técnico Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo em reportagens. As informações são do g1.
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A família de uma dessas vítimas, uma mulher de 80 anos, foi ouvida informalmente pelos policiais na última quarta-feira. Segundo a advogada da família, a morte foi confirmada pelo hospital em 14 de setembro de 2025.
A filha da paciente diz se lembrar que Marcos Vinícius estava no quarto de UTI quando houve uma parada cardiorrespiratória. A paciente tinha dado entrada no hospital com um quadro de tontura e não tinha problemas cardíacos.
Os médicos donos dos logins com os quais o técnico acessava o sistema para prescrever medicamentos também estão sendo ouvidos na investigação, segundo a GloboNews.
‘Ela ia ser medicada e voltar para casa’, diz filha de vítima
Enquanto a Polícia Civil investiga, as famílias das vítimas de Marcos Vinícius tentam entender tamanha crueldade. Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos, tinha apenas um quadro simples de constipação quando procurou a unidade de saúde, contou Kássia Leão, filha da professora aposentada.
— Nenhuma alteração no exame de sangue, nenhuma alteração na tomografia. Nada além disso, uma constipação. Ela ia ser medicada e voltar para casa — disse Kássia Leão, em entrevista à TV Globo, na quarta-feira.
Em seu período no hospital, Miranilde apresentou uma piora e morreu em 17 de janeiro. A piora súbita aconteceu após Marcos Vinícius aplicar um medicamento de forma irregular nos pacientes, que sofreram paradas cardíacas e morreram no hospital, de acordo com as investigações da Civil.
Kássia Leão conta que a sua mãe estava se sentindo inchada e com um incômodo na barriga. Miranilde pediu para ir até o Hospital Anchieta “porque confiava na unidade”.
A filha diz que ela fez exames, que não apontaram nenhuma alteração. No entanto, Miranilde acabou sofrendo uma queda no hospital e ficou ansiosa, por isso a médica pediu que a idosa ficasse internada na UTI, para observação.
Kássia Leão diz que, no dia 11 de janeiro, a mãe estava “ótima, muito bem”, mas Miranilde começou a apresentar piora, o que causou estranhamento entre os familiares. Até que, no dia 17 de janeiro, ela faleceu na unidade.
Segundo a Polícia Civil, a piora súbita de Miranilde aconteceu porque ela teria recebido quatro aplicações de um medicamento de forma irregular por Marcos Vinícius. Após cada dose, ela apresentou parada cardíaca, sendo submetida a manobras de reanimação. Como a paciente não morreu, o inquérito diz que o técnico de enfermagem aplicou mais de dez doses de um desinfetante, retirado de um frasco que ficava na própria UTI.
Preso em janeiro, Marcos Vinícius chegou a negar envolvimento, mas confessou os crimes após ser confrontado com imagens das câmeras de segurança da unidade.
Mulheres são acusadas de acobertar os crimes
Outras duas técnicas, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva, também foram presas por envolvimento nos crimes. Elas são acusadas de participar dos crimes dando cobertura a Marcos Vinícius.
Ainda segundo a Civil, ele trabalhava há cinco anos na área. Após abrir a investigação interna, o Hospital Anchieta demitiu os três suspeitos.
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Mortes no Hospital Anchieta: Polícia Civil investiga mais dois casos suspeitos no DF
