O Paraíso do Tuiuti acertou contrato com seu novo carnavalesco. O escolhido foi Renato Lage, o responsável este ano por levar a obra de Rita Lee para a avenida, em um desfile descontraído e alegre pela Mocidade Independente de Padre Miguel. De acordo com a nova agremiação, o profissional fechou com a escola após reunião entre ele, o presidente da escola, Renato Thor, e o diretor-executivo, Bruno Valle.
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Um dos nomes mais consagrados da história do carnaval carioca, Lage é reconhecido por ter revolucionado a estética dos desfiles a partir da década de 1990. Ele deixa a escola da Zona Oeste que o projetou como “Mago”. A apresentação oficial será em abril, na festa de aniversário do Tuiuti.
Dos seis títulos que a agremiação da Zona Oeste tem, metade foram conquistados com a assinatura do artista: 1990 (“Vira virou, a Mocidade chegou”), 1991 (“Chuê Chuá, as águas vão rolar”) e 1996, com o enredo “Criador e criatura”.
A Mocidade havia anunciado a saída de Lage na noite de terça-feira. Neste ano, o profissional assinou o enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade”. Nas redes sociais, a agremiação agradeceu a contribuição de Lage.
“Hoje, chega ao fim mais uma passagem do Mago em Padre Miguel. Agradeço todo carinho, comprometimento e entrega nesses dois últimos carnavais ao meu lado. A sua idolatria e importância para minha história serão sempre lembradas em todos os momentos. As portas estarão sempre abertas, afinal, aqui sempre será sua casa. Muito obrigada e desejo toda sorte do mundo nos próximos desafios. Beijos, Renato. Da sua Estrela”, escreveu.
Um dos destaques da escola ficou por conta de bruxas em vassouras voadoras que libertavam Rita Lee da repressão da ditadura militar na comissão de frente da Mocidade. O grupo, coreografado por Marcelo Misailidis, vencedor do Estandarte de Ouro de melhor comissão de frente em 2025, trouxe desta vez triciclos carnavalizados para simular o voo das bruxas. No ano passado, a surpresa foram robôs.
No entanto, a Mocidade amargou o 11º lugar, classificação que causou uma enxurrada de críticas aos jurados e mudanças nos comandos da escola.
Renato Lage, carnavalesco da Mocidade
João Vitor Costa / Agência O Globo
Tentativa frustrada
Lage voltou para a Mocidade em 2024 na tentativa de reviver os anos de glória, após resultados amargos nos carnavais, com a penúltima posição em 2023 e a antepenúltima naquele ano. Mas, justo na reestreia, no ano passado, enfrentou a perda da mulher e companheira de barracões, Márcia Lage, vítima de leucemia, às vésperas da folia. Terminou em penúltimo.
Quatro vezes campeão do Grupo Especial — além dos três títulos pela Mocidade, ele venceu pelo Salgueiro em 2009, com o enredo “Tambor” — Renato Lage assinava seus desfiles com a então mulher Lilian Ribeiro. No início da década de 1990, o casal se separou. Márcia, até então assistente de Renato, viveu um romance com ele e, anos depois, se casaram. A partir de 2002, último ano dos 12 que Renato passou na escola da Vila Vintém em sua primeira passagem, ela passou a assinar como carnavalesca (e dupla oficial do marido).
Resultado polêmico
A Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) divulgou, no dia 19, um dia após a Viradouro se consagrar campeã do carnaval 2026, as justificativas do júri para as notas dadas para cada agremiação durante os desfiles. A Mocidade Independente de Padre Miguel, por exemplo, perdeu pontos no enredo por associar Rita Lee, a homenageada da verde e branco da Zona Oeste, ao título de “padroeira”. O argumento é da jurada Mônica Mançur, que pontuou a escola em 9,6 no quesito, tirando quatro décimos.
“A associação da figura de Rita Lee a qualquer título de ordem convencional (religiosa ou não), como no caso de “Padroeira”, desconstrói o recorte libertário do enredo apresentado. Por esta razão, retira-se um décimo”, explicou a jurada.
A justificativa gerou controvérsia e provocou críticas da escola, que foi às redes sociais reclamar.
“As justificativas começaram a ser divulgadas, e, na primeira que recebemos, a da jurada Mônica Mançur, que nos deu 9,6 em enredo, encontramos em uma das justificativas que o termo “Padroeira” desconstruiria o enredo. Ela só esqueceu de ler que a própria Rita Lee se chamava assim”, queixou-se a escola, em post no Instagram.
Uma das maiores vozes da música brasileira inspirou a estrela-guia de Padre Miguel. O enredo “Rita Lee, a padroeira da liberdade” homenageou a cantora, que morreu em 2023, aos 75 anos. Numa entrevista à revista “Rolling Stone”, ela falou sobre o apelido.
“Gosto mais de ser chamada de ‘padroeira da liberdade’ do que ‘rainha do rock’, que acho um tanto cafona”, afirmou.
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Paraíso do Tuiuti contrata Renato Lage, ex-Mocidade, como novo carnavalesco
