PF Investiga se PM foi cedido ao Detran-RJ apenas para fazer escolta de Márcio Canella

A arma apreendida por policiais federais na mala do carro do ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado pelo União Brasil, Márcio Canella, um fuzil calibre 5,56, pertence à Polícia Militar do Rio de Janeiro. Ela estava acautelada com o sargento Alexandre Paixão da Silva Júnior. Segundo a PM, o agente está cedido, desde outubro de 2025, ao Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RJ), órgão apontado pela Polícia Federal (PF) como um feudo político de Canella.
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Os agentes federais agora apuram se o policial militar de fato trabalhava no órgão ou se foi transferido apenas para integrar a escolta de Canella.
Márcio Canella foi preso pela PF
Foto arquivo: reprodução vídeo
Em julho de 2023, outro investigado na sexta fase da Operação Unha e Carne, a mesma que resultou na condução de Canella à sede da PF, esteve lotado no Detran-RJ. Alvo de um mandado de busca e apreensão cumprido na última terça-feira por agentes federais, o delegado Marcus Amin foi presidente do Departamento Estadual de Trânsito entre julho de 2023 e outubro do mesmo ano. Ele deixou a presidência ao assumir o cargo de secretário da Secretaria de Estado de Polícia Civil, onde permaneceu até setembro de 2024. Na ocasião, foi exonerado pelo então governador Cláudio Castro.
Procurada, a Polícia Militar informou que a Corregedoria da corporação instaurou procedimento para apurar a conduta do policial militar responsável pela cautela do fuzil que, segundo Canella, teria sido deixado na mala de um veículo utilizado pelo ex-prefeito.
Canella foi preso na terça-feira, quando policiais federais encontraram o fuzil na mala do veículo utilizado pelo pré-candidato ao Senado. Ele foi autuado em flagrante por porte de arma de calibre restrito. Nesta quarta-feira, Márcio Canella teve a prisão mantida em audiência de custódia realizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), segundo informações do portal G1.
A sexta fase da Operação Unha e Carne tinha como objetivo desarticular uma quadrilha suspeita de utilizar postos de combustíveis para lavar dinheiro. A operação realizada na terça-feira teve origem em um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que aponta uma movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pela rede de postos. Inicialmente, Canella era alvo apenas de mandado de busca e apreensão. Na casa dele, os agentes federais apreenderam outras armas, munições e relógios de luxo.
Foram cumpridos mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, em 19 endereços na capital e nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende, ligados aos investigados. Ao todo, foram apreendidos 11 carros de luxo, entre eles uma Mercedes-Benz avaliada em R$ 1,5 milhão. Em uma empresa em Niterói, foram encontrados cerca de R$ 800 mil em espécie. Um policial militar também foi preso por porte de arma na casa de um dos investigados.
A Operação Unha e Carne está no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II, iniciativa coordenada pela PF por determinação do Supremo Tribunal Federal no contexto da ADPF das Favelas (ADPF 635). Após ter a prisão mantida, Márcio Canella foi transferido do Presídio José Frederico Marques, em Benfica, para o Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, conhecido como Bangu 8, localizado no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio.
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