Shallowing: o prazer feminino está mais perto do que você imagina

Durante muito tempo, venderam a ideia de que uma relação sexual inesquecível dependia de penetrações profundas, posições acrobáticas e preparo físico digno de uma ginasta olímpica, o que automaticamente deixava 85% dos seres “normais” fora da equação.
Agora, uma prática chamada shallowing começa a ganhar espaço justamente por mostrar o contrário: muitas mulheres sentem mais prazer quando os movimentos acontecem na entrada da vagina, sem penetração profunda.
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O nome vem da palavra inglesa shallow, que significa “raso” ou “superficial”. Mas não se engane: de superficial, essa experiência não tem nada.
O shallowing consiste em estimular a entrada da vagina e os primeiros centímetros do canal vaginal com os dedos, o pênis ou um acessório íntimo. Em vez daquele conhecido entra e sai até quase desmontar a cabeceira da cama, os movimentos são curtos, lentos e concentrados.
Uma pesquisa realizada por especialistas ligados à Universidade de Indiana constatou que 84% das mulheres entrevistadas relataram sentir mais prazer com alguma forma de estimulação superficial. Isso acontece porque a entrada da vagina possui muitas terminações nervosas e fica próxima de estruturas importantes do clitóris. Lembre-se de que em ponto mais profundo, mais ou menos um dedo indicador de distância, temos uma zona bem menos enervada, é lá que colocamos o absorvente interno, sem sentir incômodo.
Voltando ao clitóris, ele é muito maior do que aquela pequena parte visível. Internamente, ele se estende ao redor da vagina. Portanto, estimular a entrada vaginal também alcança na maioria das vezes, indiretamente, partes internas do clitóris.
Profundidade não é sinônimo de eficiência
O corpo feminino não funciona como uma competição para descobrir quem consegue chegar mais longe (o que vamos combinar, joga por terra a história de quanto maior o pênis, melhor). Algumas mulheres gostam de penetração profunda; outras sentem desconforto, dor ou simplesmente pouco prazer.
O problema começa quando a profundidade vira obrigação. Muitos homens aprenderam, principalmente com filmes pornográficos, que precisam realizar movimentos rápidos e profundos para demonstrar virilidade. Enquanto isso, a mulher está ali pensando na lista do supermercado, porque ninguém perguntou do que ela realmente gosta.
O shallowing propõe justamente outra experiência: menos desempenho e mais percepção.
A prática também pode ser interessante para mulheres na menopausa, quando a redução do estrogênio pode causar ressecamento, sensibilidade e desconforto durante a penetração (no meu canal, tem treinamentos grátis, para resolver essa questão). E claro, é importante usar lubrificante e respeitar qualquer sinal de dor.
Como experimentar sem transformar em aula prática
Não é preciso anunciar solenemente: “Hoje praticaremos shallowing”. Isso acabaria com o clima antes mesmo de ele começar.
A ideia pode surgir naturalmente durante as preliminares. A pessoa que recebe a estimulação pode orientar o ritmo, segurar a mão do parceiro ou movimentar o quadril, mostrando onde e como sente mais prazer.
Os movimentos devem ser pequenos, alternando pressão, velocidade e direção. Também é possível combinar a estimulação na entrada da vagina com carícias no clitóris.
E não existe obrigação de chegar ao orgasmo. Às vezes, o prazer melhora justamente quando o casal para de perseguir o orgasmo como se ele fosse o último ônibus da noite.
O shallowing não precisa substituir outras práticas. Ele pode ser mais uma possibilidade no cardápio sexual, e um lembrete importante de que, no prazer feminino, alguns centímetros bem utilizados podem fazer muito mais sucesso do que uma grande demonstração de profundidade.
Algumas dicas
Use bastante lubrificante, especialmente após a menopausa.
Comece devagar e observe as reações do corpo.
Combine movimentos superficiais com estimulação do clitóris.
Não insista se houver dor, ardência ou sangramento.
Caso o desconforto seja frequente, procure um ginecologista.
Lembre-se: cada mulher possui seu próprio mapa do prazer.
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