Thiago Silva e Millán formam dupla de zaga promissora para defender vaga do Fluminense na semifinal da Libertadores


“Ataque ganha jogos, defesa ganha campeonatos”. A declaração do lendário técnico da NBA (principal liga do basquete americano) Phil Jackson virou um dos maiores clichês no futebol. E ela se encaixa perfeitamente para o Fluminense, que busca a solidez defensiva como visitante para conquistar o bi da Libertadores. Apesar de até poder perder por um gol de diferença — venceu por 2 a 0 o jogo de ida, no Maracanã —, a equipe conta com Thiago Silva e Julián Millán para garantir uma vaga na semifinal diante do Platense, hoje, às 19h (de Brasília), no acanhado e aberto Ciudad de Vicente López — cerca de 28 mil torcedores —, em Buenos Aires, na Argentina.

Os zagueiros jogarão juntos apenas pela segunda vez na temporada, mas o entrosamento não deve ser um problema. Afinal, foi justamente com essa dupla que o tricolor não sofreu gol no Rio. A nova formação tem ligação com o desfalque de Ignácio, que vinha atuando bem e sendo titular sob o comando de Marcão, mas sofreu uma lesão muscular na coxa esquerda e deve retornar em cerca de duas semanas, no meio da Data Fifa.

— Obviamente, é um privilégio ter o Thiago como companheiro. Tenho muito a escutar e aprender com ele, porque sabemos da importância que tem para o Fluminense. Sempre o segui onde esteve, na seleção brasileira, onde jogou na Europa. Estou pronto (para ser titular), sempre à disposição para fazer as coisas da melhor maneira para o clube, e aí o professor decide — elogiou Millán após o jogo de ida contra o Platense.

Vindo do Nacional-URU há cerca de seis meses, o colombiano de 28 anos soma apenas dez jogos pelo Fluminense. Isso porque Luis Zubeldía aprovou a contratação do defensor, mas o deixou de molho no banco de reservas por um bom tempo, o que se tornou uma das principais críticas ao treinador argentino, demitido no dia 13 de agosto.

Concorrentes? Millán faz exercício sob olhares de Freytes no CT do tricolor — Foto: Marcelo Gonçalves / Fluminense FC

Canhoto e com 1,90m de altura, Millán se destaca pela forte imposição física no jogo aéreo. Mas as características de “xerife” só ficam dentro de campo. Fora dele, o zagueiro disputa com Rodrigo Castillo para ver quem é o jogador mais tímido do elenco. Isso não quer dizer que eles não têm uma relação próxima com os companheiros, mas demoraram um pouco mais a se enturmar no dia a dia do clube.

A ascensão de Millán pode favorecer justamente o desempenho de Thiago Silva em seu “habitat natural”. Acostumado a atuar pelo lado direito da zaga ao longo da carreira, o capitão do Flu vinha precisando se deslocar para a esquerda com Ignácio. Com o colombiano, canhoto assim como Freytes, isso não é necessário. O argentino, que se recuperou recentemente de uma lesão no tornozelo direito, voltou a falhar na derrota por 3 a 1 para o Atlético-MG, no último sábado, pelo Brasileirão.

No último jogo, Thiago Silva sequer foi relacionados por conta da decisão de hoje — Millán esteve em Belo Horizonte, mas não saiu do banco. Aos 41 anos, o Monstro evita jogos em gramado sintético e tenta selecionar as partidas importantes e, ao mesmo tempo, não perder ritmo físico.

— Se você fica algum tempo sem jogar, perde um pouco da capacidade física, mas temos grandes profissionais nos clubes que conseguem compensar isso. Em alguns treinos, não faço a atividade inteira e saio um pouco antes, porque existe essa abertura com a comissão técnica. Além disso, a experiência me ajuda nos jogos, porque consigo ler melhor as jogadas e não preciso correr tanto para cortar uma bola ou fazer uma cobertura — destacou Thiago.

Amigo de longa data do camisa 3, o técnico Marcão segue em busca de sua primeira vitória como visitante — até aqui foram dois empates e uma derrota — desde que assumiu o tricolor. Uma dessas igualdades foi justamente na Argentina, onde o time eliminou o Independiente Rivadavia nos pênaltis. A ver se o Platense será realmente a próxima vítima na terra dos hermanos.



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