veja como é um jogo de futebol raiz na casa do Platense, adversário do Fluminense na Libertadores


Se é normal encontrar uma praça pública em cada esquina de uma cidade, os estádios ocupam esse lugar em Buenos Aires, na Argentina, onde o futebol raiz é uma espécie de preservação cultural. Enquanto La Bombonera (Boca Juniors) e Monumental (River Plate) são os mais tradicionais, há outras “canchas” de clubes de bairro. Adversário do Fluminense nas quartas de final da Libertadores, o Platense, de Saavedra, tem como casa o acanhado e aberto Ciudad de Vicente López, com capacidade para cerca de 28 mil torcedores.

O repórter que escreve esta matéria passava férias, em maio deste ano, na capital argentina, mas, como um apaixonado por futebol, não se contentou em apenas comer uma macia carne com “papas fritas” e foi assistir a Platense x Peñarol, pela fase de grupos da Libertadores. Ao contrário dos ingressos esgotados por sócios nos jogos dos grandes da Argentina, ainda havia entradas disponíveis horas antes daquela partida.

Logo quando avistei o Ciudad de Vicente López dentro do carro de aplicativo, a minha primeira impressão foi de que ele fazia “fronteira” com uma extensa avenida que tem dois sentidos: a cidade e a província de Buenos Aires. Apesar de o vai e vem provocar certa lentidão nas estradas, cheguei cedo ao estádio e já senti aquele vento gelado no alto do setor mais popular: a Tribuna Roberto “Polaco” Goyeneche, em homenagem a um famoso cantor de tango e torcedor fanático do Platense.

Se o frio dava boas-vindas ao carioca, pelo menos a chuva não deu as caras naquela noite. Caso contrário, não tinha como se proteger, já que o local é totalmente aberto e sem cobertura. Aos poucos, os torcedores do Calamar (apelido de lula) foram se animando, com direito à presença de muitos pais e filhos, o que é comum em clubes argentinos de menor expressão que se formaram em bairros.

Atrás do outro gol, a torcida do Peñarol lotou o setor visitante e até fazia mais barulho do que os donos da casa. A verdade é que o duelo na arquibancada foi mais empolgante do que o jogo em si — terminaria empatado em 1 a 1. No intervalo, aproveitei para experimentar a comida mais tradicional do futebol argentino e uruguaio: o choripán. Nada mais é do que um pão com linguiça acompanhado do molho chimichurri, feito com ervas, alho, azeite e vinagre.

Após mais um estádio desbloqueado com sucesso, voltei ao centro de Buenos Aires com a missão de comprar uma camisa do Platense para guardar de lembrança da viagem, já que não a encontrei à venda no Ciudad de Vicente López. Enquanto os mantos de Boca, River e Independiente sobravam nas lojas, o do Calamar, nas cores marrom e branco, parecia estar em extinção. Ficou para uma próxima vez.



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